sexta-feira, 25 de abril de 2014

Breve ensaio no intervalo de duas citações ligeiras


"A rebeldia é um bem absoluto. Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio" (Paulo Leminski, 1986)

"O poema é antes de tudo um inutensílio", "Os bens do poeta: um fazedor de inutensílios [...]" (Manoel de Barros, 1980)

[P.S. - só para tornar as coisas mais complexas, para não cairmos em uma contraposição entre um Leminski urbano e político em diferença a um Manoel de Barros de uma poética exclusiva da natureza, essa passagem de Manoel de Barros, de 1970 - "tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma/ e que você não pode vender no mercado/ como, por exemplo, o coração verde/ dos pássaros,/ serve para poesia [...] tudo aquilo que a nossa/ civilização rejeita, pisa e mija em cima,/ serve para a poesia/ [...] Pessoas desimportantes/ dão para a poesia/ qualquer pessoa ou escada/ [...] o que é bom para o lixo é bom para a poesia"]
Alberto PUCHEU

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