VISITA
Que ela chegue sem clarins ou trombetas,
entre como facho de luz
pelas gretas da janela
e atravesse o quarto
na sua claridade.
Que ela chegue
inesperada,
como a chuva
na tarde calorenta
e faça subir o odor
de poeira molhada.
Que ela chegue
e se deite ao meu lado,
sem que a perceba.
Que me lave
com água de fonte
e me cubra
com o bálsamo branco
do silêncio.
Donizete Galvão, do livro Mundo Mudo (2003)
DA ETERNIDADE
A eternidade é feita de pássaros
que riem do voo em falso
dos homens.
Planar além dos rochedos
é anoitecer
desinteressada perenidade.
E não precisar de relógio
pra se descobrir presente
Nem contemplar o passado,
fez invisível do tempo.
O que há de mais seguro
no alvará da incerteza
que levita?
O futuro tem asas,
repete o poeta,
timidamente. (Antonio Mariano)
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